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Meditação matinal 24/11/2010

24 de novembro Quarta


Idolatrar a si mesmo


Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. 1 João 5:21

Parece não haver dúvida de que o apóstolo João escreveu sua primeira epístola da cidade de Éfeso, por volta do ano 90 d.C. Éfeso era famosa por seus ídolos. Ali estava o templo da deusa Diana, que era uma das maravilhas do mundo e cuja fabricação de imagens movimentava a economia local. Mas acima da idolatria popular, havia muitos que praticavam artes mágicas. Além disso, alí o gnosticismo e o dualismo desfrutavam de prestígio, e era ensinada a doutrina dos nicolaítas (Ap 2:6).

Cercados por semelhante ambiente, os “filhinhos” de João não podiam viver em Éfeso sem estar em constante contato com a idolatria em suas várias formas, bem como com doutrinas espúrias. Assim, a interpretação literal desses ídolos aos quais o apóstolo João se refere tem o seu lugar.

Mas, com certeza, a aplicação da advertência de João vai muito além disso, pois a essência da idolatria é dar a outro o amor, reverência e devoção que devem ser dedicados exclusivamente a Deus. Muitos fazem das riquezas o seu deus. E Paulo diz que a avareza é idolatria (Cl 3:5). Outros vivem para o prazer, ou idolatram o poder, a honra, a fama.

Não é muito difícil abster-se de adorar deuses mortos, mas é preciso cuidar para não adorar deuses vivos, como um parente, amigo, a esposa, o marido ou filho. E o pior de tudo é quando alguém faz de si mesmo um ídolo. Este é um pecado que desonra e insulta a Deus de modo especial, pois Deus diz: “A Minha glória, pois, não a darei a outrem” (Is 42:8).

Ao que tudo indica, esta era a principal preocupação do apóstolo João, ao pedir que nos guardássemos dos ídolos. A maioria dos intérpretes dessa primeira epístola de João acredita que ela foi escrita a uma igreja dividida em torno da natureza de Cristo e normas eclesiásticas. A disputa foi tão séria que alguns membros saíram da igreja (1Jo 2:19; 4:5).

“Aparentemente o apóstolo concluiu que os indivíduos que abandonaram sua congregação haviam se tornado seus próprios ídolos. O individualismo sem a comunidade se torna um ídolo!” (Niels-Erik Andreasen).

Podemos ser filhos de Deus quando colocamos o eu acima de tudo? Deus é nosso Pai e Ele deseja que vivamos em comunhão, nada fazendo “por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3).

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